A disparada do dólar em relação ao real, que fechou em 16/12 cotado a R$ 2,74, o maior valor em mais de 9 anos, compensa a queda no mercado internacional dos preços em dólar dos bens exportados pelo País, a maior parte matérias primas. Isso melhora as expectativas para exportações a médio prazo, mas aumenta a pressão sobre a inflação em 2015. Entre dezembro de 2013 até ontem, a moeda americana se valorizou 11,3%, descontada a inflação, segundo os cálculos do economista Bruno Lavieri, da consultoria Tendências.

“É uma diferença favorável ao dólar de quase três pontos porcentuais”, observa Lavieri. Segundo ele, esse diferencial melhora as expectativas para as exportações, mas não terá efeito nas vendas externas de imediato por dois motivos. Primeiro porque as exportações foram contratadas num período anterior à alta do câmbio. O segundo é que os exportadores normalmente fazem seguro (hedge) para se protegerem das oscilações do dólar.

O diretor de pesquisas da GO Associados, Fabio Silveira, endossa a avaliação de Lavieri. “O avanço do câmbio compensa a queda dos preços das commodities em dólar.” Ele ressalta que, em reais, nenhuma commodity agrícola teve queda importante nos últimos 30 dias, o que aumenta as preocupações sobre a inflação.

Quem está comemorando a disparada do câmbio são os produtores de soja, pois conseguiram recuperar parcialmente a perda provocada pela queda de preços em dólar. “Foi uma boa surpresa”, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso, Ricardo Tomczyk. Ele conta que os 8,86 milhões de hectares do Estado destinados à soja já foram plantados e que não há possibilidade de ampliar a área. No entanto, o avanço do câmbio surtiu efeito nos custos e na venda antecipada do grão. Até setembro, a venda antecipada correspondia a 11%, uma fatia bem inferior à registrada no mesmo período do ano passado (40%). Hoje, com a alta do dólar, esse porcentual já oscila entre 45% e 48%, o mesmo nível de dezembro do ano passado

Além de acelerar a venda antecipada de soja, a valorização do dólar ante o real melhorou os preços em reais do grão. “Com esse câmbio recuperamos parte da competitividade, mas não tudo, pois também temos custos em dólar.”

FONTE: REVISTA PLANTAR 17/12