A desvalorização do real frente ao dólar compensará a queda dos preços internacionais dos grãos para os produtores brasileiros, segundo indicou nesta segunda-feira um estudo divulgado em São Paulo.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP apontou que o efeito do câmbio na contabilidade do produtor deve ser relativizado porque as vendas antecipadas estão menores do que em anos anteriores. Por isso, eles devem conseguir aproveitar o bom momento da moeda americana.

Para um dos professores responsáveis pelo estudo, Lucílio Alves, o valor do saco de 60 quilos de soja exportado pelo porto de Paranaguá no primeiro semestre deve ficar entre US$ 23,60 e US$ 24,80, um dos níveis mais baixos desde 2010.

Já a tonelada do óleo de soja passará, conforme os cálculos, de US$ 796 em janeiro para US$ 747 em abril, mas a desvalorização do real frente ao dólar, atualmente cotado a R$ 2,709, e sua eventual tendência de queda frente à moeda americana compensará parte dessa redução.

Estados Unidos, Argentina e Brasil terão uma colheita recorde de grãos na safra 2014-2015, de acordo com o Cepea.

Com esse cenário, o “Balanço 2014 e perspectivas 2015” apresentado hoje pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), indicou que neste ano haverá um aumento de 2,7% no valor bruto da produção (VBP) agrícola.

A Sociedade Nacional da Agricultura publicou também hoje um relatório em que calcula uma safra recorde de mais de 200 milhões de toneladas de grãos para a próxima temporada.

A projeção, associada às boas condições meteorológicas nos EUA, aumentará os estoques mundiais e, por consequência, reduzirá a demanda, o que refletirá em uma redução de preços, analisou a entidade.

No balanço agrícola geral, a alta do preço do café e o aumento da demanda por carne, principalmente depois da reabertura dos mercados russo, chinês e saudita, também contribuirão para atenuar os efeitos da queda dos preços dos grãos.

Apesar da compensação, de acordo com a CNA, o Brasil registrará um faturamento bruto dos produtos agrícolas 5,8% menor na nova safra. A estimativa é que o país fature R$ 271 bilhões com o setor em 2015.

FONTE: EXAME 05/01